Recuperação de paciente após parto em meio à pandemia
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A coleção é composta por fotografias em preto e branco produzidas pelo fotojornalista e historiador Carlos Erbs Jr. As imagens, em sua maioria publicadas em livro no ano de 2021 registram diferentes momentos da pandemia de COVID-19 na cidade do Rio de Janeiro, partindo da percepção do autor de que vivenciava um acontecimento histórico que precisava ser documentado para a posteridade.
Desde o início da pandemia, Erbs Jr. acompanhou a movimentação nas ruas do Rio de Janeiro, registrando os impactos das medidas de isolamento social, as ações de órgãos públicos e de entidades civis, os gestos de solidariedade, a tensão vivenciada pelos profissionais da linha de frente, a corrida da ciência nos processos de testagem e o início da vacinação. O fotógrafo também documentou a atuação de movimentos reivindicatórios, assim como a presença de grupos negacionistas.
Trata-se de uma coleção abrangente, que evidencia a complexa dinâmica social, política e humana da pandemia de COVID-19 na cidade do Rio de Janeiro.
O projeto fotojornalístico de Carlos Erbs Jr., o maior de sua carreira até então, teve início a partir de uma atividade de cobertura jornalística no encerramento da Oficina de Detecção e Diagnóstico do Novo Coronavírus (2019-nCoV), realizada na Fiocruz, no Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro de 2020. A partir desse momento, o fotógrafo passou a acompanhar atentamente a movimentação mundial em torno da COVID-19.
No entanto, o trabalho que concentra grande parte de seu investimento profissional teve início em 13 de março de 2020, quando Erbs Jr. se dirigiu ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, já consciente do momento de grande impacto que estava vivenciando. Naquela ocasião, entravam em vigor as restrições de voos internacionais para conter a disseminação do vírus. Entre a perplexidade e a urgência de documentar o acontecimento, o fotógrafo passou a registrar a dinâmica e a atuação de diferentes agentes envolvidos naquele contexto.
Como fotógrafo e jornalista, Erbs Jr. envolveu-se intensamente com a cobertura da pandemia no Rio de Janeiro e enfrentou inúmeros desafios. Presenciou o pânico, as perdas, o descaso, a desigualdade e as apreensões vividas por uma categoria profissional que registrou, no país, um dos índices de mortalidade mais expressivos do mundo. Experimentou, viveu e registrou o vazio da morte e apelos ao divino.
O exercício da atividade exigiu cuidados rigorosos diante do risco de contaminação e transmissão do vírus, bem como sensibilidade e delicadeza, uma vez que, na maioria das vezes, tratava-se da cobertura de situações dramáticas da vida das pessoas retratadas. A intensidade do vivido demandou pausas e momentos de trégua, como o estabelecimento de dias alternados de trabalho, como forma de lidar com o impacto emocional provocado pelas cenas registradas.
Paralelamente, Erbs Jr. acompanhou diversas iniciativas de solidariedade e ações coletivas, como o Movimento Dona Marta contra a Covid-19; a atuação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na testagem em massa no Complexo do Alemão; o trabalho da educadora infantil Ana Bloch com crianças do Morro do Salgueiro, por meio de atividades educativas na biblioteca comunitária; e a participação das Escolas de Samba como espaços de testagem e vacinação, entre muitas outras iniciativas. Também acompanhou e registrou o ápice e a reviravolta da história do coronavírus no Brasil, com os avanços da ciência e o início da vacinação.
As fotografias de Carlos Erbs Jr. documentam tanto o cotidiano quanto eventos relacionados à pandemia, além de constituírem registros fundamentais para a reflexão sobre a dinâmica social brasileira. As imagens resultam de um acompanhamento atento e contínuo de um período histórico marcado por rupturas profundas no cotidiano, no espaço urbano e nas relações humanas.
Percorrer esta coleção permite recordar não apenas um tempo recente de perdas e incertezas, mas refletir sobre as marcas deixadas pela pandemia na cidade e na sociedade. As imagens aqui reunidas compõem um exercício de memória coletiva, no qual a fotografia atua como registro, denúncia e possibilidade de elaboração do vivido.
É bacharel em Comunicação Social, habilitado em jornalismo, licenciado em História com especialização em História do Brasil Pós 1930, atuou na comunicação há 23 anos. Com experiência em assessoria de imprensa, rádio, jornal e no fotojornalismo, tendo trabalhos realizados para Folha de São Paulo, Jornal Metro, Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro,, SESC, Senac e Firjan. Atualmente atua na Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde.É educador social e autor do fotolivro, Vidas Importam – Memória visual da pandemia de Covid 19 no Rio de Janeiro, da Editora iVentura, lançado em 2021.
















Ela [a coleção] é informativa e um documento político de tudo o que vivemos.
A ideia do projeto surgiu da necessidade de preservar a memória da maior crise sanitária do século XXI e do meu dever como fotojornalista de perpetuar esse momento.
A partir daí, a rotina de cobertura fotográfica passou a mostrar como a cidade e a população respondiam a tudo isso, além de tomar as medidas cabíveis para conseguir trabalhar minimizando os riscos de contágio.
Precisamos lembrar de cada vítima, de cada negligência para que em um próximo episódio como esse não se repitam os erros.
Não foi fácil todo esse tempo de cobertura da pandemia. O medo de contrair o vírus e de expor pessoas queridas nunca deixou de existir. Entretanto, para quem milita no campo da História e da memória do tempo presente não há escolha diante da maior crise sanitária do século XXI, só comparada à da Gripe Espanhola 102 anos antes. De repente estávamos em uma guerra contra um inimigo invisível. Neste processo, como relatei, ainda lutamos contra o negacionismo, o egoísmo e a insanidade de muitos.” Carlos Erbs Jr
Dos momentos de dor de perda de colegas de profissão, de pessoas próximas e de personalidades que admiro, ficarei com as boas lembranças. De tudo vivido e registrado levarei a experiência e as histórias para contar. Cada dia que saí à rua e me arrisquei tive sempre em mente que mesmo que aquela fosse a última pauta, ela um dia teria relevância. Não para mim, mas para as futuras gerações que um dia estudarão e tentarão entender como administramos o “novo normal”, banhados no álcool em gel e distantes de muitos daqueles que amamos.
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