Um memorial para a pandemia
O Memorial Digital da Pandemia de COVID-19 é uma iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) para preservar e dar acesso às memórias da pandemia no Brasil. Desde 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de pandemia por conta da propagação do Novo Coronavírus, pessoas em todo o mundo começaram a registrar as suas experiências de vida durante esse evento tão assustador e incerto. No Brasil não foi diferente: cidadãs e cidadãos do Brasil vêm registrando continuamente as suas memórias da pandemia. Preservar esses registros é fazer justiça a todos que sofreram durante esse evento, dando continuidade à luta de muitas pessoas para que se construa uma memória e uma história da pandemia no Brasil baseada na ética, no respeito e na cidadania.

Um memorial digital
Ainda durante a pandemia, dezenas de iniciativas em todo o país, muitas vezes criadas de forma voluntária e criativa, começaram a reunir depoimentos, fotos, vídeos e outros registros sobre aquele momento. Por conta da ampla difusão de tecnologias digitais, pela internet nós pudemos tirar fotos, postar em redes sociais e trocar, com familiares, amigos e até mesmo desconhecidos, informações e histórias da vida durante a pandemia. No contexto de isolamento social, a escolha por registrar a vida usando essas ferramentas fazia ainda mais sentido. Foram milhares de documentos digitais que surgiram em todo o país, dando a impressão de que a memória da pandemia seria rica, democrática e duradoura.
No entanto, documentos digitais podem ser considerados efêmeros, porque correm sempre o risco de se perder com o tempo, por conta de fatores que vivemos diariamente: computadores e smartphones quebram, senhas de servidores de nuvens são esquecidas, redes sociais são descontinuadas, HDs param de funcionar, ou mesmo, podemos nos perder em quantidades gigantes de registros que deveríamos organizar. Para que os vídeos, as fotos e os demais documentos digitais que registram a pandemia possam ser preservados, é preciso cuidado, organização e infraestrutura. É isso que o Memorial Digital da Pandemia de COVID-19 proporciona: um lugar seguro construído por especialistas dedicados a manter vivas as importantes memórias que construímos, no passado e atualmente, sobre a pandemia de COVID-19.


Nossa missão é:
Reunir, preservar e difundir, de forma inovadora e segura, registros digitais que contam a experiência da população brasileira durante a pandemia de COVID-19 e seus desdobramentos, com a finalidade de valorizar a memória e a história e de promover cidadania.

Nossos valores são:
- Tornar a história da pandemia possível;
- Preservar registros digitais efêmeros;
- Oferecer uma memória justa a um evento traumático;
- Cultivar uma memória democrática, cidadã e representativa;
- Estabelecer uma política nacional de memória da pandemia de COVID-19;
- Desenvolver soluções de preservação digital sistêmica alinhadas às características da memorialização da pandemia;
- Respaldar a ação de cidadãs e cidadãos que documentaram a pandemia no Brasil desde 2020, oferecendo infraestrutura e políticas de preservação e difusão de forma sustentável.
Objetivos e justificativas
O Memorial tem por objetivo principal a coleta, salvaguarda e publicização de conjuntos documentais de caráter digital, produzidos e/ou coletados por iniciativas formais e informais, tanto individuais quanto coletivas, acerca das diferentes experiências relacionadas à pandemia de COVID-19 no Brasil. O acervo do projeto caracteriza-se, assim, por uma ampla diversidade de tipos documentais, temáticas e territórios, sempre relacionados ao contexto da pandemia, mas marcados por suas especificidades. Com vistas à consolidação de um arquivo permanente voltado à preservação e ao acesso público de registros diversos de um momento traumático da crise sanitária em escala global, para a garantia de direitos e a produção de conhecimento histórico, científico e cultural, o Memorial adota o compromisso de prover condições infraestruturais para a preservação sistêmica desse conjunto documental a longo prazo, assim como oferecer soluções de acessibilidade e difusão, tornando disponível aos cidadãos esse patrimônio memorial de grande valor político-social.
Por que o Memorial Digital da Pandemia é importante?
1. Tornar possível a história da COVID-19
O Memorial reúne documentos que mostram como a pandemia foi vivida no Brasil — não apenas dados oficiais ou notícias, mas também registros feitos por pessoas e comunidades. O nosso acervo revela dimensões muitas vezes esquecidas, como as experiências de povos indígenas e de comunidades urbanas marginalizadas, trazendo à tona questões como desigualdade, racismo, violência de gênero e violações de direitos.
2. Preservar registros digitais que podem se perder
Grande parte da memória da pandemia foi criada no meio digital, por meio de fotos, vídeos, mensagens e postagens online. Apesar da abundância, esses registros correm risco de desaparecer por problemas como formatos obsoletos, falta de metadados ou ausência de backup. O Memorial oferece a infraestrutura e os cuidados necessários para garantir que esse material continue acessível no futuro.
3. Oferecer uma memória justa a um evento traumático
A pandemia foi marcada por perdas, medos e traumas coletivos. O Memorial reconhece a importância de preservar as lembranças e os testemunhos das vítimas e de todos aqueles que foram impactados naquele período, garantindo um espaço de memória ética, que valoriza a luta contra o esquecimento e a justiça.
4. Cultivar uma memória democrática e representativa
O acervo é construído a partir da colaboração com quem produziu os registros originais, respeitando a autoria e a identidade de cada projeto. O Memorial atua em diálogo constante com essas lideranças para garantir que a preservação e a difusão respeitem as especificidades de cada coleção.
5. Contribuir para uma política nacional de memória da pandemia
O Memorial ajuda a construir práticas e parâmetros para que o Brasil preserve a memória desse evento de forma democrática, reconhecendo as vítimas e evitando o apagamento histórico.
Para mais informações, acesse nossa Política de acervo.