Logo depois o Cacique Gilberto passou ruim também. Eu ficava sempre orientando o meu avô, minha avó, minha esposa, meus filhos, dizendo que essa doença iria passar, que era para tomar nossos remédios. Esses remédios são ruins, muito amargos, mas assim mesmo a gente tomava. Com isso foi tudo melhorando, eu sempre falando para a gente não desistir e se alimentar, porque a doença não queria que a gente se alimentasse, mas se não se alimentar fica cada vez mais fraco. A gente tentava comer o pouco que a gente podia, sem sentir gosto, sem sentir cheiro, era difícil. Meu avô doente, minha avó doente, minha esposa doente, isso foi aumentando a preocupação em casa, o desespero.
13 de agosto de 2020, Aldeia Manga, Terra Indígena Uaçá, Oiapoque, Amapá, Brasil,
Dalson dos Santos, liderança indígena da etnia Karipuna